O Divino faz parte da cultura e tradições do estado de Minas Gerais, onde a Festa do Divino é realizada em diversas cidades, em diferentes datas, após os quarenta dias a contar do Domingo de Páscoa, período em que se comemora Pentecostes – a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos.
Este fato histórico religioso é narrado ao longo dos séculos e documentado na obra “Atos dos Apóstolos”, que faz referência ao encontro dos apóstolos com Maria no Cenáculo, ainda temerosos da perseguição política romana. Os apóstolos presenciam um clarão e percebem a descida de línguas de fogo sobre cada um em sinal de alerta. A partir deste momento, sentem vitalidade, coragem, inteligência e raciocínio lógico para saírem pelo mundo, entendendo e falando várias línguas e pregando a filosofia ensinada por Jesus Cristo.
As Festas do Divino realizadas no Brasil são oriundas de Portugal, onde foram iniciadas pela Rainha Santa Isabel, esposa do Rei-poeta D. Diniz, no início do século V. Tem-se notícia de que para angariar recursos visando a construção de uma capela em homenagem ao Divino, em Alenquer, Portugal, essa rainha teria organizado uma feira junto com a comunidade. Não é de se admirar a imediata aceitação da festa por outras aldeias até que ela viesse a ser legalizada pelo “Código Afonsino”, em Portugal. Assim, o Divino Espírito Santo tornou-se um dos protetores da Coroa Portuguesa.
No Brasil, os portugueses nobres continuaram a devoção ao Divino Espírito Santo. Havia, inclusive, uma lei que obrigava as Câmaras Municipais a ajudarem no financiamento da festa, apoiando a Irmandade, que era composta de homens brancos e ricos. Até hoje, os Irmãos do Divino elegem o representante do Imperador, que terá de manter a tradição.
Os festejos têm seu lado religioso erudito - novena, missas, ladainhas e procissões em louvor ao Divino Espírito Santo. A icnografia do Divino é representada por uma custódia dourada, normalmente esculpida em madeira revestida em folha de ouro, e no lugar da hóstia consagrada há uma pomba branca esculpida. A decoração da peça é rica e variada, dependendo da criatividade do artista.
No interior de Minas Gerais é comum encontrar a imagem da pomba branca nas portas e nas janelas das casas. Ela é também uma fonte de inspiração para muitos artistas que utilizam as mais variadas técnicas para recriar o resplendor onde se destaca a pomba branca que representa o Divino Espírito Santo.
Nesta minha versão, utilizei uma calota de automóvel como base representativa do resplendor e a decorei com flores pintadas com a técnica Baurnmalerei (que se assemelha à pintura barroca mineira). Mais uma peça onde aplico esta linda técnica que venho buscando aprender de forma autodidata.
Agradecendo por toda luz divina que a cada dia me impulsiona a novas inspirações,
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