15 de maio de 2019

Como está a educação ambiental em Minas Gerais? Palestra promovida pela AMDA tratou deste importante tema.


Estive presente à edição de maio do Projeto Terça Ambiental, promovido pela AMDA Minas Gerais. O tema de exposição e debate "Como está a educação ambiental em Minas Gerais?" foi conduzido pela especialista em gestão ambiental com foco em educação ambiental, Marta Silveira. 

O objetivo deste encontro foi discutir se a Educação Ambiental é realmente implementada nas escolas e como isso acontece. E se tornou  um momento muito especial  para reflexões e ampliação do debate em torno de questões importantes e polêmicas ligadas ao tema focal. O evento aconteceu no auditório do CREA-MG e contou com a presença de diversos profissionais do setores público e privado e estudantes de cursos da área ambiental.

A Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA) determina que a Educação Ambiental (EA) deve ser desenvolvida "como prática integrada, contínua e permanente em todos os níveis e modalidades do ensino formal". Contudo, a lei pontua que essa incorporação deve ocorrer de modo interdisciplinar, ou seja, não existe uma disciplina específica para que os conceitos sejam trabalhados em sala de aula. 

O fato de a legislação classificar a educação ambiental como uma matéria interdisciplinar é um dificultador. Com tanto conteúdo para aplicar em pouco tempo, é difícil encontrar professores dispostos a dedicar ainda mais tempo na busca por materiais adequados para abordar quaisquer temas que integram a EA. A falha esbarra ainda na postura das instituições de ensino, que não investem na capacitação dos professores, nem na pesquisa de materiais didáticos que abordem a temática ambiental.

Na maioria das vezes, a abordagem é fruto de demandas emergenciais, como a crise hídrica que atingiu diversas regiões do país em 2014. A sensibilidade dos professores em reconhecer a urgência e importância da educação ambiental é crucial para o desenvolvimento de atividades.

Desde 2015 tramita no Senado Federal o Projeto de Lei do Senado (PLS) n° 221, que estabelece a educação ambiental como matéria obrigatória no currículo escolar. O autor da proposta, senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), considera a atual situação da EA insuficiente. Desde o ano passado o projeto está na Comissão de Educação, Cultura e Esporte e no início de março deste ano o projeto foi redistribuído e aguarda emissão de relatório.

O evento foi bastante produtivo quanto à abordagem do tema e possibilidade de debate. E se tornou um  importante espaço para tratarmos dos muitos desafios da prática da Educação Ambiental, em um tempo em que ainda necessitamos que os vários setores ampliem sua visão quanto à sua importância. 


13 de abril de 2019

A enriquecedora experiência de vivenciar o Jogo Carta da Terra no I Encontro Nossa Cidade Conecta.

Projeto Ler e Jogo Carta da Terra, durante o I Encontro Nossa C\idade Conecta - Foto Cláudio Casaccia

O I Encontro Nossa Cidade Conecta realizado em Belo Horizonte, entre os dias 4 e 6 de abril, no CRJ - Centro de Referência da Juventude, reuniu pessoas engajadas em transformação social, ampliando o impacto de ações e projetos sociais, econômicos, ambientais e culturais em cidades pequenas. 


A palestra de abertura, "Como semear o dia em que todos viverão bem, em comunidades abundantes de um planeta saudável" realizada por Renato Orozco, foi norteadora de todo o evento e nos conduziu a diferentes conexões: Negra, Indígena, LGBTQ e Feminina. Através de palestras, coletivos, debates, oficinas e apresentações onde aconteceram encontros de muitos, nos conectamos ao redor de sonhos e objetivos comuns.


O co-criador do Jogo Carta da Terra , Cláudio Cassacia
acompanhou de perto as experiências enriquecedoras da oficina.
Foto: Bruna Leles.
Entre estes Idealistas, também estive presente. O Maria Reciclona - Núcleo de ações para a sustentabilidade participou como convidado do arquiteto e criador de jogos, Cláudio Casaccia, na assistência à oficina "Jogo Carta da Terra". O jogo, apresenta diferentes possibilidades de jogabilidade e estimula os participantes a compartilhar suas experiências pessoais, a protagonizar ações  socioambientais, desfrutar de uma atmosfera cooperativa e viver momentos de alegria e aprendizado pensando em um mundo mais sustentável e justo. A atividade foi ofertada ao público, no sábado (6) e aconteceu de forma muito especial e a  presença de vários participantes do Projeto LER que, nesta atividade, contou com a monitoria da Professora Sandra Cavalcante.

Mazza Pena lendo as orientações propostas pelo Jogo que nos conduziu a uma linda experiência . Foto Cláudio Casaccia

O PROJETO LER é uma iniciativa de professores do Departamento de Letras da PUC Minas, em parceria com o Centro de Estudos luso-afro-brasileiros, Cátedra do Instituto Camões, em Belo Horizonte, e o Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados (SJMR - Brasil). Nasceu da necessidade de criar contextos interculturais de aprendizagem e de interação linguística, em língua portuguesa, com pessoas de diferentes países que chegam à Região Metropolitana de Belo Horizonte na condição de migrantes e refugiados. As atividades linguístico-culturais realizadas caracterizam-se, portanto, como práticas contextualizadas e colaborativas da leitura e da escrita de textos de natureza diversa, em língua portuguesa. 

Participantes de diferentes nacionalidades formaram os grupos que buscavam a vitória coletiva. Foto Cláudio Casaccia
Sandra Cavalcante, motivadora de experiências. Foto Bruna Leles
Neste sentido, o Jogo Carta de Terra se apresentou como um elemento com total adequação à proposta do LER e, atendendo a um dos objetivos do projeto, o português foi adotado como língua comum a ser falada pelos participantes, oriundos de países como Guiné Bissau, Haiti e Venezuela. 

O JOGO ONDE TODOS GANHAM OU PERDEMOS JUNTOS


A oficina trouxe a oportunidade de vivenciar a abordagem das diferentes dimensões da Carta da Terra, importante documento gestado durante a Rio 92 que inaugura um fundamento ético quando nos lembra que fazemos parte de uma só família humana. Conduzimos a jogabilidade pelas várias possibilidades de abordagem desse documento, que se permite utilizar como catalisador para alcançar o diálogo entre diferentes culturas e credos, com relação à ética global e o rumo que a globalização está tomando. 

Jogamos simultaneamente em em dois tabuleiros e ao alcançarmos nosso objetivo da vitória coletiva, os jogadores puderam realizar uma atividade final onde expressaram em 5 línguas, traduzindo em palavras de ordem, o quarto princípio da Carta da Terra que trata da "Democracia, não violência e paz".  

Foi uma linda experiência!
Reunimos-nos, ao final da oficina, para uma foto que registrou nossa linda conexão.

2 de abril de 2019

Celebrando o Dia Mundial da Água, no Parque Nacional do Ibitipoca.


Neste ano, tive a felicidade de poder celebrar o Dia Mundial da Água (22 de março) em um local especial e cheio de boas energias. Foi possível reverenciar a água e toda a sua potencialidade e importância para a vida humana, animal e vegetal, realizando o Circuito das Águas no Parque Nacional do Ibitipoca.

Localizado na Zona da Mata do Estado de Minas Gerais, o Parque Nacional do Ibitipoca está situado a três quilômetros do distrito de Conceição do Ibitipoca, pertencente ao município de Lima Duarte. Ocupa 1488 hectares como área de reserva, onde podemos realizar visitas guiadas ou por conta própria, seguindo a boa sinalização existente. Entre os roteiros possíveis estão as trilhas da Janela do Céu (16 km), do Circuito do Pico do Pião (11 km) e o Circuito das Águas (5 km).


Nesta última trilha, podemos visitar o Lago dos Espelhos, Lago Negro, Prainha, Lago das Miragens, Ponte de Pedra, Cachoeira dos Macacos e do Rio do Salto. Cada ponto é uma paisagem para se reter nos olhos e na alma.


As águas percorrendo as longas extensões de pedra formam poços de águas límpidas que reluzem as formações rochosas de cor amarelada. Naquele dia de outono, que acabava de chegar, o sol refletia de forma mágica, a energia vibrante que pulsa naquele lugar...

Foi  lindo poder vivenciar o dia Mundial das Águas como uma celebração ao lado de companheiros especiais e muito sintonizados com as forças da natureza.
Minha gratidão ao Universo!


8 de março de 2019

MENINAS VESTEM VERDE!


Em um tempo em que enfrentamos desafios e vivemos a consequência de desastres ambientais de proporções gigantescas, sustentabilidade e preservação são prioridades para o desenvolvimento econômico, social e ambiental de nossa sociedade. E hoje, Dia Internacional da Mulher é oportuno ressaltar  a importância de mulheres que com sua vida, sua história e muita militância colaboraram e colaboram para que possamos seguir acreditando na viabilidade de um futuro mais sustentável na feminina Terra.

É importante dizer que as mulheres, desde sempre, foram e são protagonistas quando o tema é preservação do meio ambiente e vida sustentável. E isto vale para as mais simples atitudes, quer seja a escolha correta de um produto para o consumo no lar, a atuação consciente nos espaços de educação até as atitudes que envolvem políticas públicas nacionais e internacionais. Neste cenário, as mulheres sempre foram capazes de fazer a diferença. E por isso, lembramos de algumas delas para celebrar esta data.

Anna Comstock 
Cronologicamente, começo pela norte americana ANNA COMSTOCK, que nascida no século 19, e que com toda sensibilidade feminina, voltou seus olhos observadores inicialmente para ilustrar os insetos que ela e seu marido estudavam e após concluir um curso em História Natural, em 1885 passou a escrever seus próprios livros. Entre eles, o Handbook of Nature Study, (Manual do estudo da natureza) que até hoje é considerado um texto clássico. 

Anna abriu novos caminhos no mundo acadêmico, tornando-se a primeira professora de uma universidade. Mas tornou-se famosa foi por criar o primeiro programa de estudos de natureza ao ar livre para as crianças, que tirou a ciência da sala de aula e incentivou o amor das crianças pelo mundo natural. Seu método tornou-se o modelo para programas de estudos da natureza no mundo todo, ajudando a promover uma nova apreciação da importância da conservação do meio ambiente para as próximas gerações. 

Outra mulher memorável que, com a capacidade feminina de observação dos detalhes, se tornou protagonista no mundo da sustentabilidade foi a bióloga RACHEL CARSON que nasceu em 1907, também nos Estado Unidos. 

Rachel Carson
Com seu trabalho e pesquisas ela não só chamou a atenção para os perigos do uso indiscriminado de pesticidas sintéticos; como também ajudou a lançar o movimento ambiental moderno quando publicou em 1962 o livro “Silent Spring” (disponível no Brasil com título “Primavera Silenciosa”) e que é considerado um dos trabalhos não ficcionais mais influentes do século XX. 

Nessa obra, ela se mantinha firme contra as críticas intensas da indústria química, apesar de uma batalha simultânea contra o câncer de mama que ela travava. Mesmo após sua morte, em 1964 (dois anos após o lançamento de sua obra-prima), seu livro alimentou o interesse público em questões ambientais e de saúde pública e, em poucos anos, a Administração Nixon criou a Agência de Proteção Ambiental. 
Ela é sem dúvida um ícone para todas as mulheres ambientalistas. 

Também devem ser lembradas mulheres como DIAN FOSSEY que abriu um novo campo para mulheres da área de Biologia quando começou a estudar os gorilas de montanha na Ruanda. Dedicando uma atenção significativa às atividades de combate à caça, incluindo a execução de patrulhas de caça furtiva, destruição de armadilhas e prisão de caçadores, pressão sobre as autoridades locais para impor leis anti-caça . 
Tragicamente, Dian Fossey foi encontrada morta em sua cabana nas Montanhas Virunga de Ruanda, em dezembro de 1985. Embora o caso nunca tenha sido resolvido, acredita-se que ela foi morta por um caçador em resposta a seus agressivos esforços contra a caça furtiva. 

A Advogada e ativista JANE GOODALL também se dedica ao bem-estar e conservação animal. A britânica é considerada a maior especialista do mundo em chimpanzés após seu estudo de mais de 50 anos sobre chimpanzés selvagens em um parque nacional na Tanzânia. 

Dian Fossey e Jane Goodall 
E em uma época em que as cientistas eram muitas vezes consideradas frágeis e emotivas demais para o trabalho de campo, Dian Fossey e Jane Goodall provaram que todos estavam errados. 

Seguimos nossa lista com SYLVIA EARLE, oceanógrafa americana que ajudou a projetar submarinos de pesquisa, mas que é mais conhecida por suas ações de proteção dos oceanos da Terra. E entre outras proezas ela é fundadora do Mission Blue, uma organização sem fins lucrativos dedicada à criação de reservas marinhas protegidas em todo o mundo. 

Wangari Maathai - Prêmio Nobel da Paz 2004
Um grande destaque que temos que dar hoje é para WANGARI MAATHAI que teve uma rara oportunidade para uma mulher queniana dos anos 1960: ela foi uma das 300 estudantes quenianas selecionadas para o programa que lhe deu a chance de frequentar a Universidade nos Estados Unidos.  Depois de completar licenciatura e mestrado em Biologia, voltou para o Quênia, onde teve uma nova perspectiva sobre os danos ambientais em seu país – e sobre a necessidade de direitos das mulheres.  Por isso, fundou o Green Belt Movement para abordar as duas questões, ensinando as mulheres quenianas a plantar novas árvores em áreas desmatadas e obter renda sustentável da terra. Desde então, o movimento capacitou 30 mil mulheres para o comércio, as tirando da pobreza, e plantou mais de 51 milhões de árvores. 

Por sua dedicação à conservação ambiental e ao avanço dos direitos das mulheres, Maathai recebeu o Prêmio Nobel da Paz, em 2004, se tornando a primeira mulher africana a receber o prêmio. 

VANDANA SHIVA, física e ambientalista indiana também é inspiração para nossas militâncias.
Vandana Shiva, física e ambientalista indiana.
Vandana é ativista ambiental e está liderando uma campanha para ver o valor das práticas locais tradicionais sobre soluções uniformes - antiglobalização. Ela dirige uma Organização não governamental que se tornou um movimento nacional para proteger sementes nativas para a agricultura e promover práticas orgânicas e comércio justo. Além disso, ela oferece uma nova percepção do papel das mulheres, particularmente no mundo em desenvolvimento. 

Como ela outras tantas mulheres brasileiras protagonizam um papel de relevância frente aos desafios da sustentabilidade. 

Mulheres que ocupam os mais distintos lugares sociais. Vide GISELE BUNDCHEN, que por tantos anos foi conhecida por ocupar as passarelas da moda e há mais de seis anos, tenta chamar atenção para o que vem acontecendo no planeta. Hoje ela representa o Brasil em outras passarelas, para além da moda, ocupando o cargo de Embaixadora da Boa Vontade do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. 

O engajamento das mulheres em prol da sustentabilidade nas instituições, do consumo consciente, da responsabilidade socioambiental, dos negócios sustentáveis, da qualidade de vida e das ações sustentáveis que impactam na sociedade é cada dia mais crescente e poderíamos passar este dia citando uma infinidade de nomes e iniciativas e não alcançaríamos o final da longa lista . 

Tica Minami -  coordenadora da campanha da Amazônia do Greenpeace 
Mas não podemos nos esquecer das brasileiras NECA MARCOVALDI no Projeto Tamar, TATIANA NEVES, coordenadora geral do Projeto Albatroz, DÉBORA PIRES , fundadora do Projeto Coral Vivo, a presidente do Instituto Baleia Jubarte, MÁRCIA ENGEL e a diretora de pesquisa do Projeto Baleia Franca, KARINA GROCH, todas liderando os grandes projetos de conservação de espécies marinhas. 
Também temos que citar MARCIA HIROTA, diretora executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, a jornalista TICA MINAMI, coordenadora da campanha da Amazônia do Greenpeace, entre outras mulheres à frente de grandes organizações de preservação e conservação das espécies vivas e dos ambientes naturais. 

Mas, sobretudo, temos que nos lembrar de cada mulher que ocupa funções nas cooperativas de coleta e reciclagem de resíduos, as centenas de mulheres indígenas, quilombolas e pescadoras que vivem o seu dia-a-dia integradas ao meio ambiente e de todas aquelas que, como eu, são apenas agentes ambientais que não desistem jamais do ideal de um mundo mais sustentável. 
Profissionais da reciclagem cooperadas à RedeSol

DESEJO FELICIDADE A TUDO QUE HÁ DE FEMININO NO PLANETA!

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